25
nov
2017

Muito Obrigado Axé

O termo “axé” (de asé , termo iorubá que significa “energia”, “poder”, “força”) pode se referir tanto aos assentamentos de orixás que ficam nos pejis (altares de candomblé) quanto à força mágica que sustenta os terreiros de candomblé.

Isso é pra te levar no ilê… 

Odô significa obrigado em yorubá e axé paz, equilíbrio entre forças.
A música ressalta a necessidade de conexão com o sentimento de religiosidade para harmônia do ser.

“Isso é pra te levar no ilê
Pra te lembrar do badauê
Pra te lembrar de lá

Isso é pra te levar no meu terreiro
Pra te levar no candomblé
Pra te levar no altar

Isso é pra te levar na fé
Deus é brasileiro
Muito obrigado axé”

O termo Ilê quer dizer Casa. Logo te levar no Ilê quer levar para casa, origem.
“Pra de levar no Candomblé” Candomblé, religião afro-brasileira formada a partir do sincretismo religioso que reúne elementos indígenas, africanos e católicos.

A música usa a expressão “Deus é brasileiro” que quer dizer que o Criador não é exclusivo de nenhuma religião, nenhum povo e cultura, logo é “brasileiro” metaforicamente, considerando a multi-diversidade etnica dos brasileiros, que reúne os povos de todo o mundo em sua constituição. Deus em Yorubá é Olorum.

Esta é uma proposta para percebermos sentido na diversidade exercitando o respeito as diferenças.

“Ilumina o mirin orumilá
Na estrada que vem a cota
É um malê é um maleme
Quem tem santo é quem entende

Quanto mais pra quem tem ogum
Missão e paz
Quanto mais pra quem tem ideais e
Os orixás”

‘Orixá’ desmembrando o termo significa Ori=cabeça, Xá=Rei, senhor. Senhor da Cabeça, ou mentor, anjo da guarda, guia…
Mirim orumilá é um mensageiro. Observe o casamento entre um termo indígena (mirim) e africano (orumilá).

“É um malê é um maleme”
Malé – mulçamano africano. Maleme – pedido de socorro.
Logo quem faz o convite está funcionando como mensageiro que socorre, que desperta para necessidade de voltar para as origens, para casa interior, para o Self, para integração.

“Quanto mais pra quem tem ogum
Missão e paz
Quanto mais pra quem tem ideais e
Os orixás”

Ogum é o orixá guerreiro, aquele que abre caminhos.
Logo a música diz que para quem desperta para a necessidade de harmonia, integração com suas origens, sua casa interior e tem vontade e se esforça para isso encontra apoio de Ogum, daqueles que abraçam a causa da liberdade, do respeito, que luta pelos ideais, pela paz e harmonia entre os povos.

“Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz a festa

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz um samba

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Traz a orquestra

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz a festa”

Por fim, sugere que nos desarmemos e nos harmonizemos como a música. express a no samba, na festa, na orquestra.
Que joguemos “as armas prá lá” e que desarmemos o ‘Ego Imaturo’ de suas defesas egoícas.
Que sigamos o fluxo de nossa verdadeira essência, de nossa Casa Interior, de nosso Ilê, para que então possamos dizer “Odô, axé, odô” – Obrigado, paz, obrigado!

Por Marcelo Bhárreti via Diversidade Integrada